quinta-feira, 3 de março de 2011

CONFISSÃO, por Ana Maria Bueno Cunha


“Aquele que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus acusa os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador são, por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói o que fizeste, para que Deus salve o que fez. [...] Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz” (AGOSTINHO, Santo: In Iohannis evangelium tractatus, 12, 13: CCL 36, 128 (PL 35, 1491).).

Se existe algo pelo qual nós, católicos, temos que agradecer profundamente a Deus, é pela chance que nos é dada de nos voltarmos a Ele; e como se não tivesse bastado Deus nos mostrar o caminho de volta, ainda nos foi dada a capacidade maravilhosa de nos santificarmos diante de Sua presença; ainda neste mundo. Ele que com todo amor nos amou, ao enviar Seu Filho para morrer por nós pecadores, mostrou e nos dispôs, através dos Sacramentos contidos em Sua Igreja, sua graça maravilhosa, restituindo o que foi perdido pelo pecado.

“Se dissemos que não temos pecados”... A perda do sentido do pecado é um perigo que espreita o homem de todos os tempos. “Enganados pela perda do sentido do pecado" – recorda o Papa João Paulo II - por vezes tentados por alguma ilusão pouco cristã de impecabilidade, os homens de hoje têm necessidade de voltar a escutar, como dirigida pessoalmente a cada um, a advertência de São João: “Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”; mais ainda, “o mundo inteiro jaz em poder do malígno”(1 Jo 5,19). Cada um, portanto, está convidado pela voz da Verdade divina a ler com realismo no interior de sua consciência e a confessar que foi gerado na iniquidade, como dizemos no Salmo Miserere (Biblia de Navarra, I Joh 1,8, p. 708).

Reconhecer sua própria miséria e que para ela existe solução quando se busca com toda clareza e propósito de mudança de vida, Deus que Se revelou no amor e na misericórdia, é o início da vida plena que o Senhor oferece para nós pecadores e que culmina com Sua visão beatífica, caso nos mantenhamos fiéis até o fim. E para que ningúem abuse da misericórdia divina, o seu amor e perdão nos convida ao arrependimento sempre, consciente de nossa fragilidade que nos alicia e corrompe. Regenerar o que foi degenerado pelo pecado foi o objetivo de Deus Pai, quando fez entrar neste mundo Seu Filho unigênito nascido de uma mulher, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, para nos elevar à dignidade de filhos adotivos, pela graça que nos santifica e restaura, fazendo-O morrer na Cruz para efetuar a redenção.

Pela misericórdia de Deus, Pai que reconcilia, o Verbo encarnou no seio puríssimo da Bem-aventurada Virgem Maria, para salvar o povo dos seus pecados (Mt 1,21) e abrir-lhe “o caminho da salvação”. São João Batista confirma esta missão, indicando Jesus como o “Cordeiro de Deus”, “Aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Toda a obra e a pregação do Precursor é uma chamada enérgica e premente à penitência e à conversão, cujo sinal é o Batismo administrado nas águas do Jordão. Também Jesus se submeteu àquele rito penitencial (cf. Mt 3,13-17), não porque tenha pecado, mas porque “se deixa contar entre o número dos pecadores; é já o 'Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29), e antecipa já o 'batismo' da sua morte sangrenta. Assim, a salvação é, antes de mais nada, redenção do pecado, enquanto impedimento da amizade com Deus, e libertação do estado de escravidão, no qual se encontra o homem que cedeu à tentação do Maligno e perdeu a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rom 8,21)" (Carta Apostólica de Nosso Papa João Paulo II sob forma de Motu Próprio – Misericórdia Dei).

Por isso, o homem precisa, iluminado pelo Espírito Santo, ao olhar para a Cruz, - consciente de que ali morreu O justo pelos injustos, O Santo pelos pecadores - entender que o amor de Deus é maior que o pecado e que por amor a Ele deve voltar atrás, para poder participar do plano de felicidade que quis Deus para sua alma, e este amor a Deus não é uma questão de sentimentos. O que de verdade prova meu amor a alguém, e sobretudo a Deus, é o que sou capaz de fazer por ela, não o nosso sentimentalismo. Nosso amor a Ele deve ser, portanto, arraigado na verdade, e reconhecer o próprío pecado, ou melhor, — indo mais ao fundo na consideração da própria personalidade — reconhecer-se pecador, capaz de pecar e de ser induzido ao pecado, é o princípio indispensável do retorno a Deus. Conhecer ”que o pecado, por leve que seja é uma ofensa a Deus, uma resistência à Sua vontade, uma ingratidão para com o mais amante e o mais amável dos pais e benfeitores, ingratidão que O fere tanto mais quanto é certo que somos seus amigos privilegiados. E assim se volta Ele para nós e diz: 'Se for um inimigo quem Me ultraja, suportá-lo-ia..Mas tu..tu eras um outro eu, Meu confidente e Meu amigo, vivíamos juntos numa doce intimidade:' (Sl 54,13-15)… Saibamos escutar estas censuras tão bem merecidas, banhar-nos na humilhação e confusão – Ouçamos também a voz de Jesus, digamo-nos a nós mesmos que as nossas faltas tornaram mais amargo o cálix que lhe foi apresentado no jardim das Oliveiras, mais intensa a Sua agonia. E então, do fundo da nossa miséria, peçamos humildemente perdão: 'Miserere mei, Deus, secundum misericordiam tuam…Penitus lava me a culpa mea…' "(TANQUEREY, Adolph: A Vida Espiritual Explicada e Comentada. Anápolis: Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2007. p. 177).

Para tanto, supõe-se uma disposição interior do cristão, que deve se reconhecer pecador com humildade e verdade. “Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda culpa” (1 Jo 1,8-9). A penitência interior é, portanto, o dinamismo do “coração contrito” (Sal 51,19), movido pela graça divina a responder ao amor misericordioso de Deus. Implica a dor e a repulsa pelos pecados cometidos, o propósito firme de não mais pecar e a confiança na ajuda de Deus. Alimenta-se da esperança na misericórdia divina.

Na realidade, reconciliar-se com Deus supõe e inclui o apartar-se com lucidez e determinação do pecado, no qual se caiu. Supõe e inclui, portanto, o fazer penitência no sentido mais pleno do termo: arrepender-se, manifestar o arrependimento, assumir a atitude concreta de arrependido, que é a de quem se coloca no caminho do regresso ao Pai. Quem confessa seus pecados, na realidade, está na verdade que é luz. E esta luz o leva a crescer em santidade, esta que é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, depositada em nossas almas, aspira a crescer e a dar frutos realmente agradáveis a Deus. Esta é a razão pela qual nos devemos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor, para que possamos conhecê-lo melhor e conhecer-nos melhor. Não existe outro caminho, se queremos converter-nos de novo.



"Poenitentia cogit peccatorem omnia libenter sufferre; in corde eius contritio, in ore confessio, in opere tota humilitas vel fructifera satisfactio – A penitência leva o pecador a tudo suportar de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas obras, toda a humildade e frutuosa satisfação" (Catecismo Romano 2, 5, 21, p. 299: cf. Concílio de Trento, Sess.14ª, Doutrina de Sacramento Penitência, c. 3: DS 1673.)

Sobre a Confissão dos pecados, nos diz São Clemente Romano, Papa da Igreja, que devemos sempre pedir para que sejam perdoadas as faltas e ações inspiradas pelo adversário. É melhor para o homem pedir perdão do que endurecer o coração, assim como temos muitos exemplos na história do povo de Deus, que se perderam pelo caminho, ele nos admoesta que o Senhor do universo não tem necessidade de nada. Ele não pede nada a ninguém, a não ser que se confesse a Ele, e para isto temos que entender que somos nada. Isto será imensamente agradável a Deus e quando, porventura, necessitarmos, O invoquemos no dia de nossa tribulação, Ele nos libertará e assim O glorificaremos (Sl 49, 14-15) (Cf. Papa Clemente Romano, adaptação – Padres apostólicos – Paulus -3@ Edição 2002 – p.48).

Dolorido por haver desagradado a Deus, o penitente não se contenta com palavras ou suspiros e prova o seu compungimento fazendo um gesto que lhe custa, porque humilha: repara a ofensa feita a Deus, acusando-se a seu representante; repara o dano causado à comunidade cristã submetendo-se a sentença daquele que é o representante legal, que como juiz atua para a absolvição, que atua na pessoa de Cristo que é Aquele que perdoa. Sabemos que Jesus deixou o Sacramento da Penitência para que todo fiel recorra ele caso tenha pecado após o Batismo, portanto esta acusação que se deve fazer não é um invento humano, mas divino. Além de ser condição para a remissão dos pecados, faz parte da própria essência do Sacramento, porque deriva do carater judicial que Nosso Senhor imprimiu ao rito da Penitência. Como juiz que absolve ou condena, o sacerdote não pode fazê-lo sem conhecimento de causa. E o faz da maneira dos apóstolos e seus sucessores, que julgavam os fiéis no tribunal da Penitência, abrindo-lhes e fechando-lhes as portas do Céu, e isto com pleno conhecimento do estado dessa almas, da extensão da culpa.

A confissão consiste na acusação distinta dos nossos pecados ao confessor, para dele recebermos a absolvição e a penitência. Chama-se à confissão acusação, porque não deve ser uma narração indiferente, mas sim uma verdadeira e dolorosa manifestação dos próprios pecados. "A confissão é a acusação dos pecados feita a um sacerdote aprovado, para obter dele a absolvição. A necessidade da confissão consiste em que o homem necessita do perdão divino, caso ele caia em pecado após o Batismo" (Conc. Trento, sess, XIV, c.5; DB.889 -0 916 ss.; cân.901).

Por que essa exigência divina? Porque, sendo o pecado um ato de rebeldia contra Deus, começamos a repará-lo fazendo um ato de submissão, reconhecendo-nos culpados. João Batista, para inaugurar a era messiânica, requeria dos que a ele vinham a confissão dos pecados (Cf. Mc 1, 5; Mt. 3, 6): ― “Então vinham a ele a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”. No Evangelho, encontramos os episódios de Madalena e Zaqueu, as parábolas do filho pródigo, do publicano e do fariseu. Nos Atos dos Apóstolos narra-se que, em conseqüência da pregação de São Paulo, “muitos dos que tinham crido, iam confessar e manifestar as suas obras” (At. 19, 18).

Desde as origens do gênero humano se nos depara a acusação contrita das faltas cometidas. O Altíssimo, embora conhecedor do pecado de Adão e Eva, interroga-os e incita-os a se reconhecerem culpados. O Antigo Testamento está repleto de textos relativos à humilde confissão de homens prevaricadores. A mais célebre é a do Rei Davi, adúltero e assassino: “Pequei contra o Senhor” (2 Reis 12, 13).

Confissão no Antigo Testamento:

ECL. 3, 4: ― “O que ama a Deus implorará o perdão de seus pecados e se absterá de tornar a cair neles”.
ECL. 4, 31: ― “Não te envergonhes de confessar os teus pecados, mas não te submetas a ninguém para pecar”.
IIª ESD. 9, 1 E 2: ― “E no dia 24 deste mês se ajuntaram os filhos de Israel em jejum e vestidos de sacos e cobertos de terra. E os da linhagem dos filhos de Israel foram separados de todos os filhos estrangeiros; e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais”.
PROV. 28, 13: ― “Aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido; aquele, porém, que as confessar e se retirar delas alcançará misericórdia”.

Na Igreja Primitiva, usava-se a Confissão:

ATOS, 19 18: ― “E muitos dos que tinham crido iam confessar e manifestar suas obras”.
Iª S. JOÃO, I, 9: - “Se nós confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar estes nossos pecados e para nos purificar de toda iniqüidade”.
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As Qualidades da Confissão: Segundo Del Greco, Doutor em Direito Canônico, ela deve ser:

A- Verdadeira, excluindo toda mentira. O penitente peca gravemente se negar a verdade quando o confessor legitimamente interroga a respeito de pontos que julga de necessidade, para formar um juízo prudente a respeito do penitente.

B- Secreta: Feita somente ao sacerdote sem que outros a ouçam. Se alguém ignora a língua, não é obrigado a confessar-se por meio de interprete, pois do contrário a confissão deixaria de ser secreta (embora o intérprete fique obrigado ao segredo), mas mediante sinais ou gestos aptos à compreensão. Se quiser, entretanto, pode fazê-lo (c.c. 903,889 -2).

C- Oral: por meio da palavra falada. A escrita recorra-se só por motivo justificado, e neste caso o penitente ao entregar o escrito ao sacerdote dirá: "acuso-me dos pecados que lê neste papel". Os mudos não são obrigados a usar a escrita: podem confessar-se por meios de sinais. Os tímidos, os que devem se confessar com sacerdotes surdos ou os que padecem dos males da garganta, podem empregar a escrita.

D- Íntegra: Devem ser acusados todos os pecados mortais cometidos depois do Batismo e ainda não confessados (integridade material), ou pelo menos todos os pecados mortais que o penitente atualmente, atendendo às circunstâncias, pode e deve acusar, depois de um minucioso exame (integridade formal), porque estando nosso Senhor Jesus Cristo prestes a subir da terra ao céu, deixou os sacerdotes e seus vigários como presidentes e juizes, a quem devem ser denunciados todos os pecados mortais em que caírem os fiéis cristãos para que, com isso, dessem, em virtude do poder supremo das chaves, a sentença do perdão ou retenção dos pecados. Quanto aos pecados omitidos por esquecimento, são considerados incluídos na confissão, mas devem ser declarados na próxima confissão. A confissão repetida dos pecados já perdoados é lícita e recomendada, mas não necessária. Não é permitida a confissão com um sacerdote ausente ou uma absolvição a distância.

Confissão Nula: Ela pode ser nula por parte do confessor, ou por parte do penitente. Por parte daquele: se lhe falta o devido poder, se não pronunciou ou trocou a forma substancial, não ouviu ou não entendeu algum pecado. Por parte do penitente: se calou algum pecado grave ou mentiu em matéria grave relacionada com a confissão; se não tem propósito firme de emendar-se ou não está contrito, ou ainda se ignora as verdades consideradas de necessidade de meio para salvação. É necessário, portanto, confessar novamente os pecados graves que não foram diretamente submetidos ao poder das chaves.

A Absolvição dos Moribundos: Pode-se e deve-se absolver o moribundo que, por um qualquer sinal ou pela voz, se confessa e pede absolvição. Quanto aos moribundos católicos, privados dos sentidos, que viveram um vida pouco cristã, podem ser absolvidos sob condição. Quanto aos hereges e cismáticos, se estabelece: pode-se absolver aquele privado de sentido, caso seja batizado, e que se suponha que esteja com boa fé. Se não estão privados dos sentidos, não podem ser absolvidos, se antes, de melhor modo possível, não tiverem rejeitado seus erros e feito a profissão de fé (S. Of. 17 de maio de 1916); (cfr. Cân.731 -2). (Pe. Teodoro da Torre Del Greco, OFM. Teologia Moral, São Paulo: Paulinas, 1959, p. 568)

Com relação aos Pecados Veniais, pelos quais não ficamos excluídos da graça de Deus, e naquelas que caímos com freqüência ainda que se proceda com boas intenções, proveitosamente e sem nenhuma presunção, expondo-as em confissão, o que é costume das pessoas piedosas, não precisam necessariamente serem omitidas na confissão, pois ficarão perdoadas automaticamente. ” Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste Sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele” (Catecismo da Igreja Católica n.1458).

Importa também saber da exortação que nos faz o Catecismo da Igreja Católica n.1457: "Segundo o mandamento da Igreja, «todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano» . Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente recebido a absolvição sacramental; a não ser que tenha um motivo grave para comungar e não lhe seja possível encontrar-se com um confessor. As crianças devem aceder ao Sacramento da Penitência antes de receberem pela primeira vez a Sagrada Comunhão".

Lembremo-nos que o fim do homem nesta vida não é ganhar bens temporais, deste mundo; o fim último do homem é o próprio Deus, que é possuído como antecipação aqui na terra pela graça, e plenamente e para sempre na Glória. Nosso Senhor nos mostra o caminho, de renúncias, arrependimento e desapego, lavando a cruz com ajuda de Sua graça. Nada e nenhum bem neste mundo, é comparável à salvação eterna da alma. Como nos ensina São Tomás: ”o menor bem da graça é superior a todo o bem do universo” (Suma Teológica, I-II,q.113,a.9). Gastemos a vida na busca deste bem que necessarimente passa pelo arrependimento e confissão verdadeira diante do Sacerdote de Cristo.

Pedindo o Conhecimento dos Pecados

Eterna fonte de luz, Divino Espírito, dissipai as trevas da minha ignorância sobre a malícia do pecado. Não permitais que torne doravante a ofender-Vos, porque é a mais cruel das ingratidões. Concedei-me horror ao pecado, e um eterno amor a Vós.

Confiteor - Confesso-me

Eu pecador me confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado São Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, (bate-se por três vezes no peito) por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Portanto, rogo à bem-aventurada Virgem Maria, ao bem-aventurado São Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado São João Batista, aos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a todos os Santos e a vós, Padre, que rogueis a Deus Nosso Senhor por mim.

Eis me aqui, Senhor, confundido e penetrado de dor à vista de minhas faltas. Detesto-as, em Vossa presença, com grande pesar de ter ofendido um Deus tão bom, e digno de ser amado. Castigai-me, se quiserdes; sim, que sou ingrato.
Como levei tão longe a minha malícia e iniqüidade, até ofender um Deus que se deu à morte por mim! Peço-vos humildemente perdão de minhas faltas, e rogo-Vos me concedais a graça de fazer desde hoje até à morte uma sincera penitência.

Propósito de Emenda:

Como desejaria, Senhor, jamais tornar a ofender-Vos: Embora miserável, quero desde hoje mudar de vida e compensar, com amor, as ofensas que Vos tenho feito. Concedei-me esta graça, e ninguém me poderá apartar do Vosso amor. Amém.



“Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Rendamos graças a Deus que deu à Sua Igreja um tal dom” (AGOSTINHO, Santo – Doutor da Igreja).


CUNHA, Ana Maria Bueno Apostolado Sociedade Católica: Confissão Disponível em: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=298. Desde 12/08/08

Porque devemos nos confessar.


Deus, no seu amor paternal, deseja que todos os pecadores voltem para junto dele. Ele quer que nos afastemos dos nossos pecados, que nos convertamos a ele, nosso supremo Senhor e fim eterno. Jesus Cristo nos diz no Evangelho: “Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está perto.” (Mat. IV,17).
Mas para nos ajudar a fazer a penitência, Deus nos dá uma virtude especial para que tenhamos forças para nos arrependermos de nossos pecados. Essa força especial é a Virtude de Penitência.
Pela virtude de Penitência, que Deus coloca no nosso coração, Ele nos leva a reconhecer toda Sua bondade, toda Sua santidade e como nós O ofendemos e O deixamos triste quando cometemos nossos pecados. Só mesmo conhecendo a Santidade, a Justiça e o Amor de Deus é que podemos reconhecer como nossos pecados ofendem a Deus.
Deus quer que tenhamos grande arrependimento por nossos pecados. 
O que quer dizer “se arrepender”? 
Arrepender-se quer dizer não querer de maneira nenhuma continuar com a alma manchada pelo pecado, sentir uma dor profunda por ter traído a bondade de Deus, ter ofendido e entristecido a Deus, que nos ama tanto. 
Na nossa família nós temos um bom exemplo do que é o arrependimento, quando deixamos nossos pais tristes e ofendidos. Logo vem aquela dor, aquela vergonha e, ao mesmo tempo, a certeza de que eles vão nos perdoar, se pedirmos desculpas, porque sabemos que eles nos amam muito. Com Deus também acontece assim. Com essa diferença: o arrependimento dos nossos pecados nos abre novamente as portas do Paraíso, nos devolve a amizade com nosso Deus, que morreu na Cruz para nos salvar.
Mas se não tivermos o arrependimento, será que Deus nos perdoará dos nossos pecados? É fácil perceber que sem um sincero arrependimento, Deus não pode nos perdoar.
Há vários tipos de arrependimento pelo pecado:
- Arrependimento humano: estamos arrependidos porque temos medo do castigo que receberemos de nossos pais. Esse arrependimento humano nada adianta para o perdão dos pecados.
- Arrependimento imperfeito: chama-se também contrição imperfeita ou atrição – estamos arrependidos porque temos medo do castigo de Deus.
- Arrependimento perfeito: chama-se também contrição perfeita – estamos arrependidos não mais por causa do castigo dos pais ou de Deus, mas porque ofendemos a Deus, traímos o amor de Deus, nosso Pai tão bom e amoroso, nosso Redentor e Salvador. Esta dor é chamada perfeita porque vem do amor que sentimos por Deus. É essa contrição perfeita que nós manifestamos quando rezamos o Ato de Contrição. Devemos saber de cor o Ato de Contrição para rezá-lo no confessionário e também em todos os momentos de tentação e perigo de nossa vida.
“Meu Deus, eu tenho muita pena de ter pecado, pois ofendi a Vós, meu sumo Bem, e mereci os castigos de Vossa justiça. Perdoai-me, Senhor, não quero mais pecar”.
Existe um Ato de Contrição mais bonito e mais completo:
«Senhor meu Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, criador e redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido; pesa-me também de ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio da Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém.»
Porém, só o arrependimento não basta! É preciso que ele seja acompanhado pelo bom propósito. O que é o propósito?
É a vontade firme e sincera de não mais cometer aquele pecado.
Se tivermos a contrição perfeita e o firme propósito de não mais pecar, devemos esperar com toda confiança o perdão de Deus. Ele é infinitamente misericordioso, chegando até a enviar seu Filho, o Verbo Encarnado, Jesus Cristo, para morrer pagando nossos pecados. 
Essa virtude de Penitência não serve apenas para que nasça em nosso coração o arrependimento e a dor por ter pecado. Ela nos ajuda ainda a realizar certos atos exteriores, as obras de penitência, que servem para diminuir a pena do Purgatório, que teremos de pagar antes de irmos para o Céu; serve para dominar nossas más inclinações, nossos defeitos dominantes; e, também, para nos fortificar no bem.
São obras de penitência: rezar, jejuar, dar esmolas, suportar com paciência os sofrimentos e contrariedades, aceitar os incômodos da vida. A melhor obra de penitência é receber o Sacramento da Penitência, que é a Confissão.
A Tentação, o Pecado e o Sacramento da Confissão
Deus quer que a nossa vida aqui na Terra seja um tempo de provação, para podermos alcançar a glória do Paraíso, não somente como um presente mas também como prêmio pela vitória. Por isso Ele permite que sejamos tentados e mesmo que, por nossa fraqueza, façamos pecados, pondo assim em risco a nossa Salvação Eterna.
A Tentação
Quando Jesus foi tentado no deserto, levou-o o demônio a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória e disse-lhe: “— Tudo isso lhe darei se, prostrado em terra, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Afasta-te Satanás! Pois está escrito: adorarás ao Senhor teu Deus e só a Ele servirás. Então o demônio o deixou e eis que vieram os anjos e O serviram.” (S. Mateus, IV, 8-11).
Enquanto vivermos na Terra estaremos sujeitos à tentação. O demônio emprega toda sua astúcia e maldade para fazer com que pequemos e nos condenemos para sempre.
Deus permite a tentação. Ele quer nossa vitória, mas ao mesmo tempo Ele quer que nós saibamos reconhecer nossa fraqueza ficando humildes: a luta deve também nos fortificar para que nossa recompensa seja, um dia, ainda maior.
Deus nos ajuda na tentação. Ele é fiel: se Ele permite que sejamos tentados, Ele também nos dá as graças para vencer a tentação. Deus está sempre do nosso lado.
Como fazer quando somos tentados?
Devemos resistir imediatamente à tentação e invocar o auxílio de Deus. Às vezes bastará uma oração jaculatória ou o Sinal da Cruz. Muitas vezes o melhor é não fazer caso da tentação, ocupar-se com alguma outra coisa e acabar esquecendo o pecado. Devemos evitar as más companhias que podem nos conduzir à ocasiões de pecado.
Sentir uma tentação é pecar?
Não. Só haverá pecado se nós consentirmos na tentação, ou seja, se nós aceitarmos o pecado que a tentação propõe. Mas já é pecado se nos expormos à tentação ou não a combatermos com fervor.
Para a minha vida: Na tentação direi: Nunca, Jamais! e rezarei: Senhor, ajudai-me!
A tristeza e o abatimento são os maiores aliados da fraqueza e do mal. Por isso sejam sempre alegres.
Os Santos nos ensinam:
“Quem não é tentado não é provado: quem não é provado não progride” (Sto. Agostinho).
“Quanto mais se luta, mais se demonstra o amor a Deus” (Sta. Tereza D’Ávila).
“Se nos deixarmos levar pela mão de Deus, venceremos o demônio: se combatermos sozinhos, seremos vencidos” (Sto. Agostinho).
O Pecado
Muitas vezes não damos ouvidos aos conselhos de Deus, mas consentimos na tentação. Pecamos contra Deus, Sua vontade e Sua ordem. Desobedecemos à Lei de Deus com consciência, querendo fazer o pecado.
O pecado pode ser mortal ou venial. 
O Pecado Mortal – O pecado mortal é um pecado sobre matéria grave, onde desobedecemos os mandamentos de Deus ou da Igreja. Para ser mortal, deve haver matéria grave e vontade firme de pecar.
O que quer dizer matéria grave? Vamos dar um exemplo. Todos sabem que roubar é pecado. Se você rouba uma bala de um amigo da escola, a matéria do pecado é leve, é muito pouca coisa. Se você rouba um saco de balas ou a carteira de dinheiro, a matéria do pecado é grave.
O que quer dizer vontade firme? Dizemos também: ter pleno consentimento do pecado. Ou seja, você sabe perfeitamente que aquilo é pecado, você poderia recusar, mas você faz assim mesmo. Todas as vezes que fazemos algo contra os dez mandamentos da Lei de Deus e contra os cinco mandamentos da Igreja, em que há matéria grave e pleno consentimento, cometemos pecado mortal.
O pecado mortal é uma grave injúria que se faz a Deus. Com o pecado mortal o homem se rebela contra seu Criador e Senhor. Deste modo, ofende a Deus, Santidade infinita, e retribui com a mais vergonhosa ingratidão ao amor de seu bondoso Pai e de seu Redentor crucificado.
O pecado mortal é, ao mesmo tempo, uma terrível desgraça para o homem: rouba-lhe a vida da graça e a amizade de Deus: ele perde todos os méritos que já tinha ganho; passa a merecer a condenação eterna do inferno e os castigos temporais. Enquanto o pecador não se arrepender, estará morto para o Céu.
“É impossível que venha a cometer um pecado mortal o homem que reza com verdadeiro fervor e continuamente invoca a Deus“ (S. João Crisóstomo).
O Pecado Venial - É o pecado que não nos afasta inteiramente de Deus, mostra certa negligência do nosso amor e serviço de Deus, mas não chega a ser uma grave traição. Esses pecados podem ser perdoados sem a Confissão, bastando rezar um Ato de Contrição, pedir sinceramente perdão a Deus e não querer fazer mais aquilo. Deus perdoa assim o pecado venial. Eles não acarretam a morte eterna e o inferno, mas não deixa de ferir nossas almas e aumentar o tempo do Purgatório.
Comete-se pecado venial quando se peca em matéria menos grave, como por exemplo o que vimos do roubo de bala. Podemos cometer pecado venial também por falta de vontade firme de não pecar.
Por isso, a grande importância da Confissão freqüente. Mesmo que estejamos arrependidos de ter feito algo que consideramos errado, o melhor que temos a fazer é  nos confessarmos. Na Confissão, o Padre poderá esclarecer todas as nossas dúvidas, e certamente ficaremos mais tranqüilos e felizes por recebermos a Santa Comunhão e vivermos em constante estado de graça.
Mas não é porque o pecado venial seja leve que podemos viver pecando assim. Todo pecado, mesmo venial, é uma ingratidão para com nosso Pai Celeste. Devemos nos esforçar para evitar também os pecados veniais. Além disso eles nos prejudicam, principalmente quando os cometemos deliberadamente. Perdemos por causa deles muitas graças e diminui em nós o amor de Deus e o gosto pelo Bem. E, depois, com a alma enfraquecida com muitos pecados veniais, logo virão pecados mortais. Como todo pecado, o pecado venial nos traz penas temporais que teremos de pagar ou com nossos sofrimentos aqui na Terra ou com muito sofrimento no Purgatório.
Para minha vida: Quando, na tentação, me vier um pensamento assim: ... afinal, isso não passa de um pecado venial, responderei a mim mesmo: o Divino Salvador na Cruz teve de sofrer também pelos pecados veniais.
O Sacramento da Confissão
1) A Instituição do Sacramento da Penitência
Na tarde do dia da Ressurreição, apareceu Jesus aos Apóstolos e lhes disse: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim envio-vos eu. Depois destas palavras soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo. A quem perdoares os pecados, lhes serão perdoados, e a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Evangelho de São João, Cap. XX, 19-23).
Jesus Cristo, no seu amor, vem em auxílio do pecador por meio de um Sacramento especial. Durante sua vida terrena, perdoou aos pecadores arrependidos, e na Cruz expiou a culpa de toda a humanidade. No dia da sua Ressurreição, deu aos Apóstolos e aos seus sucessores no sacerdócio, o poder de perdoar os pecados em seu nome. Instituiu assim o Sacramento da Confissão ou Penitência e o confiou à sua Igreja.
2) Quando devemos nos Confessar
Devem receber o Sacramento da Penitência todos aqueles que cometeram algum pecado mortal depois do Batismo. Não há obrigação de confessar os pecados veniais, pois estes podem ser perdoados também de outros modos, como fazendo um Ato de Contrição perfeito, rezando devotamente um Confiteor, fazendo uma boa ação por amor a Deus. Mas é muito útil confessarmos também deles, pois na Confissão Jesus Cristo vem em nosso auxílio por meio de abundantes graças próprias deste Sacramento, por exemplo, forças especiais para não pecar novamente. É, pois, muito útil confessar regularmente, mesmo os pecados veniais.
Além de confessar os pecados mortais e os pecados veniais, a Confissão também serve para expor uma dúvida que esteja nos afligindo, para pedir um conselho ao Padre, para pedir uma explicação. Essas coisas podem ser ditas em outra hora, mas o confessionário ajuda a conversar sobre a vida espiritual e moral.
3) A Forma e a Matéria da Confissão
Jesus Cristo ordenou que no Sacramento da Confissão, os pecados fossem perdoados ou retidos, ou seja, não perdoados ou deixados para uma próxima Confissão. Cabe ao Padre julgar, como juiz que ele é, se há verdadeiro arrependimento. Como o Padre não pode adivinhar os nossos pecados, nós devemos confessá-los, ou seja, declará-los, dizê-los claramente, sem esconder nenhum deles. Os nossos pecados assim ditos diante do Padre constitui a matéria do Sacramento da Confissão.
Depois que confessamos, arrependidos, os nossos pecados, o Padre nos absolve com as palavras da forma do Sacramento: Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Vemos assim que é preciso três coisas principais neste Sacramento: a matéria (os pecados confessados), a forma (absolvição pelo Padre) e o arrependimento.
4) Os efeitos da Confissão
Quando o Sacerdote nos absolve, Jesus Cristo, nosso Redentor, nos perdoa todos nos nossos pecados. Nós, que estávamos afastados de Deus pelo pecado, somos reconciliados com o Pai Celeste, pelo perdão do pecado e da pena eterna. A Confissão nos restitui, nos devolve a graça santificante, a amizade de Deus, bem como os méritos que perdemos por causa do pecado. A Confissão nos traz muitas forças para não mais pecar.
A pena eterna nos é perdoada. O que isso quer dizer?
Quando cometemos um pecado mortal, ficamos sujeitos a dois tipos de castigo:
- a pena eterna, que é a condenação ao inferno, onde nunca se vê a Deus e onde se sente ódio de Deus, de si mesmo e de todos;
- a pena temporal, que é o sofrimento do fogo que queima as almas do inferno.
Quando nos arrependemos do pecado e recebemos a absolvição, somos imediatamente perdoados da pena eterna, ou seja, não vamos mais para o inferno. Mas continuamos sujeitos à pena temporal, ao fogo. Para pagar esta pena temporal e poder entrar no Céu perfeitamente puras, as almas passam pelo Purgatório. Lá elas sofrem muito, sofrem também no fogo, mas este sofrimento tem a consolação de se saber que em breve estarão no Céu, na Felicidade Eterna, vendo a Deus face a face e podendo amá-lo e adorá-lo eternamente. Mas as almas do Purgatório sofrem muito. Por isso devemos rezar muito por elas, pedindo a Deus, à Nossa Senhora, à São Miguel Arcanjo, que levem estas almas sofredoras para o Céu.
Mas Deus nos ajuda também para diminuir o tempo que devemos passar no Purgatório. Como?
Ele permite que nós tenhamos muitos sofrimentos aqui na Terra. Quando somos católicos e conhecemos todas estas coisas que estamos estudando, aprendemos a oferecer estes sofrimentos a Jesus, em vez de ficarmos reclamando e praguejando contra Deus.
Nossas orações também servem para diminuir nossa pena temporal. Por isso, na Confissão, o Padre nos dá a penitência. Esta oração, ou a obra que o Padre nos manda fazer (jejum, esmola, sacrifício) serve para diminuir nossa pena temporal. Por isso, em vez de desejarmos penitências pequenas e rápidas, devemos nos alegrar quando o Padre nos pede algo que devemos fazer com algum esforço, pois estaremos diminuindo mais a nossa pena temporal.
5) Como devemos nos Confessar
Exame de consciência. Devemos rezar ao Divino Espírito Santo para que Ele nos ilumine sobre nossos próprios pecados. Refletimos, procuramos nos lembrar de todos os pecados que cometemos desde a última Confissão. Podemos ter ofendido a Deus por pensamentos, por atos pecaminosos, por omissões no nosso dever.
Devemos nos lembrar do pecado, mas também do número de vezes que o cometemos e de alguma coisa que possa ter agravado ou diminuído a gravidade do pecado. Tudo isso devemos dizer ao Padre.
Quando já sabemos mais ou menos o que vamos dizer ao Padre, nos aproximamos do confessionário com respeito e recolhimento. Muitas crianças não entendem bem que a Confissão é uma cerimônia religiosa, um rito, e não uma conversa com o Padre. Estamos ali diante de Deus.
Pedimos a benção ao Padre, dizemos quando foi nossa última Confissão, e dizemos todos os pecados, uma após o outro, com o número e algum detalhe importante, sem alongar muito os detalhes que nos levaram a cometer o pecado. Se for necessário algum detalhe a mais, o Padre perguntará. Não podemos esconder nenhum pecado grave, pois isso tornaria a Confissão inválida e estaríamos abusando da bondade de Deus. Muitas pessoas, por vergonha, escondem algum pecado. O Padre, que não pode adivinhar, dá a absolvição, mas Deus não perdoa uma alma mentirosa. Depois aquela pessoa vai para a Missa e ainda comunga, cometendo o pecado de sacrilégio. Tenhamos sempre sinceridade nas nossas confissões.
Quando terminamos de confessar, ouvimos os conselhos do Padre. Sempre aprendemos alguma coisa boa para nossa alma nesta hora. Prestemos muita atenção! E procuremos agir segundo estes conselhos, principalmente quando se trata de reparar algum mal causado aos outros, como pedir desculpas a alguém, devolver algo roubado, etc. O Padre, nesta hora, nos dará a penitência, que rezaremos assim que possível, de preferência logo após a Confissão, em união à Paixão de Nosso Senhor. Depois, ele nos manda rezar o Ato de Contrição. Enquanto rezamos, ele nos dá a absolvição, que termina com esta bela oração:
«Que a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, os méritos da bem-aventurada Virgem Maria e de todos os Santos, e tudo o que tiverdes feito de bom e suportado de mal, vos seja aplicado para a remissão dos pecados, aumento das graças e para a recompensa da vida eterna. Amém.»
Que Deus não permita que nos afastemos algum dia da prática da Confissão regular, meio seguro de alcançar a salvação eterna!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que é a quaresma?

 
O QUE QUER DIZER "QUARESMA"?

A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal.

O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais. Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.


QUAL O SIGNIFICADO DESTES 40 DIAS?

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia.

Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras.

Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.


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O que é a quaresma? Parte 2

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O QUE OS CRISTÃOS DEVEM FAZER NO TEMPO DA QUARESMA?

A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade.

Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.

(Retirado do site dos Padres Salesianos (http://www.auxiliadora.org.br))

COMO SE CALCULA A PÁSCOA? QUANDO VAI CAIR?

A Páscoa sempre acontece na primeira lua cheia após a primavera na Europa (outono aqui no Brasil). A primavera na Europa tem um enorme significado de vida, pois durante o inverno toda a natureza fica morta, ressurgindo com o início de uma nova estação. Podemos fazer uma analogia da primavera com a Ressurreição de Jesus, que vence a morte.

Bem, como estávamos falando, quando descobre-se qual o dia da primeira lua cheia da primavera, então passam-se a contar 40 dias (quaresma) para trás, sem incluir os domingos. Então chega-se à data que será a Quarta-Feira de Cinzas e o início da quaresma. Por isso, a Páscoa é uma data móvel, assim como a Sexta-Feira Santa, a Quinta-Feira Santa, o Carvanal etc.


terça-feira, 1 de março de 2011

Quaresma: tempo de confissão, por quê?

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Preparação para o Sacramento da Reconciliação

Por que se confessar?

Porque é o Sacramento da Misericórdia de Deus. Quase todo dia a gente cai e se levanta. Ninguém quer ficar no chão. A gente pisa em falso porque não enxerga bem os passos e o caminho de Jesus. Erramos de caminho. Atrapalhamos a caminhada uns dos outros. Deus sempre dá a mão para a gente se deixar reconduzir. No sacramento da Penitência celebramos a coragem de pegar de novo na mão de Deus e voltar a andar no caminho dEle, que é o caminho da santidade. Pela confissão a gente recupera aquele estado de purificação e santidade que recebemos no Batismo.

Quem inventou a Confissão?

Jesus Cristo. Ele sempre convidou à penitência e à mudança de vida. Ele oferece sempre o perdão. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); “Vai e não peques mais” (Jo 8,11); “estão perdoados os teus pecados” (Mt 9,2); “A quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23).

Por que se confessar com o sacerdote, se ele também é pecador?

Ninguém cresce sozinho, nem na vida biológica, nem na vida profissional… Nem na vida cristã. Precisamos uns dos outros. Somos uma comunidade de irmãos.

Jesus deu aos Apóstolos (e seus sucessores) o poder de perdoar pecados: “a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,23).

Só Deus perdoa os pecados. Jesus exerce esse Poder Divino, e, em virtude de sua autoridade, transmite esse poder aos homens, para que o exerçam em seu Nome. Não é o padre quem nos perdoa, pois ele mesmo, ao final da confissão, diz: "Eu te perdoo EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO.  É Deus quem nos perdoa através do sacerdote.

Muitas pessoas não sabem, mas os padres também se confessam com outros padres.  Da mesma forma os bispos, os cardeais e o Papa. Eles também se confessam com frequência e muitos possuem até um orientador espiritual para os auxiliar na caminhada rumo a Deus.

Com que frequência devo me confessar?

A Igreja recomenda AO MENOS uma confissão por ano, na ocasião da Páscoa.  Mas não é verdade que ninguém gosta de receber o salário mínimo? Pois é.  Na nossa vida espiritual também deve ser assim.  Não devemos nos contentar com o mínimo. Devemos nos confessar sempre que nossa consciência nos acusar de alguma falta.

Quais as consequencias do pecado e da falta de confissão?

As consequências negativas do pecado não são apenas a nivel individual. São, de igual modo, comunitárias e eclesiais (para toda a Igreja).

Podemos fazer uma comparação com uma imagem para que você possa compreender melhor.  A Igreja seria como o pneu de uma roda de bicicleta.  Essa roda possui vários raios (varetas) que se ligam ao pneu. Nós somos esses raios. Cada vez que alguém peca, um raio entorta e o movimento da roda fica comprometido. Se o pecado é grave, o raio entorta bastante. Por isso, é preciso que todos os raios da roda estejam bem ajustados, para que o todo não seja comprometido.

Como fazer uma boa confissão?

1. Reze ao Espírito Santo pedindo sua Luz para conhecer a Palavra e reconhecer sinceramente seus pecados.

2. Examine sua consciência, faça uma revisão de vida, desde a sua última confissão.




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Quaresma: tempo de confissão, por quê? Parte 2

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Perguntas para ajudar:

Examine-se - ajudado por estas perguntas: que pecados cometeu desde sua última confissão? Procure não ficar somente no exterior, mas analise as atitudes do coração e as omissões.

RUPTURA COM DEUS:

Amo de verdade a Deus com todo meu coração ou vivo apegado às coisas materiais?

Preocupei-me em renovar minha fé cristã através da oração, a participação ativa e atenta na Missa dominical, e a leitura da Palavra de Deus, etc.? Guardo os domingos e dias de festa da Igreja? Cumpri com o preceito anual da confissão e da comunhão pascal?

Tenho uma relação de confiança e amizade com Deus, ou cumpro somente os ritos externos? Professei sempre, com vigor e sem temores minha fé em Deus? Manifestei minha condição de cristão na vida pública e privada?

Ofereço ao Senhor meus trabalhos e alegrias? Recorri a Ele constantemente, ou só o busco quando necessito?

Tenho reverência e amor ao nome de Deus ou o ofendo com blasfêmias, falsos juramentos ou usando seu nome em vão?

Troquei a minha fé por crendices? Tenho freqüentado outras igrejas?

RUPTURA COMIGO MESMO:

Sou soberbo e vaidoso? Considero-me superior aos demais? Busco aparentar algo que não sou para ser valorizado pelos outros? Aceito a mim mesmo, ou vivo na mentira e no engano? Sou escravo de meus complexos?

Que uso tenho feito do tempo e dos talentos que Deus me deu? Esforço-me para superar os vícios e más inclinações como a preguiça, a avareza, a gula, a bebida, a droga?

Caí na luxúria com palavra e pensamentos impuros, com desejos ou ações impuras? Fiz leituras ou assisti a espetáculos que reduzem a sexualidade a um mero objeto de prazer? Cometi adultério? Recorri a métodos artificiais para o controle da natalidade?

RUPTURA COM OS IRMÃOS E COM A CRIAÇÃO:

Amo de coração a meu próximo como a mim mesmo e como o Senhor me pede que ame? Em minha família colaboro em criar um clima de reconciliação com paciência e espírito de serviço? Os filhos tem sido obedientes a seus pais, rendendo-lhes respeito e ajuda em todo momento? Os pais se preocupam em educar de maneira cristã a seus filhos e de orientá-los em seu compromisso de vida com o Senhor?

Abusei de meus irmãos mais frágeis, usando-os para alcançar meus fins?

Insultei a meu próximo? Escandalizei-o gravemente com palavras e ações? Se me ofenderam, sei perdoar, ou guardo rancor e desejo de vingança?

Compartilho meus bens e meu tempo com os mais pobres, ou sou egoísta e indiferente à dor dos demais? Participo das obras de evangelização e promoção humana da Igreja?

Preocupei-me pelo bem e a prosperidade da comunidade humana em que vivo ou passo a vida me preocupando somente comigo mesmo?

Cumpri com meus deveres cívicos? Paguei meus tributos? Sou invejoso? Sou fofoqueiro e charlatão? Difamei ou caluniei a alguém? Violei algum segredo? Fiz juízos temerários sobre os outros?

Sou mentiroso? Causei algum dano físico ou moral a outros? Fiz inimizades com ódio, ofensas ou brigas com meu próximo? Fui violento? Procurei ou induzi ao aborto?

Fui honesto em meu trabalho? Usei retamente a criação ou abusei dela para fins egoístas? Pratiquei roubo? Fui justo em relação a meus subordinados tratando-os como eu gostaria de ser tratado por eles?

Participei em venda ou consumo de drogas? Pratiquei fraude? Passei cheque sem fundo? Recebi dinheiro ilícito?

3. Arrependimento ou contrição por ter pensado ou agido contra os ensinamentos de Deus. Pedir ao Espírito Santo a graça de reconhecer seu pecado, e de sentir dor por ter pecado.


4. Confissão ou ato de acusação ao Padre. Chegando diante dele diga-lhe: “Padre, dá-me a benção porque pequei. Há… tantos meses (anos) não me confesso. Meus pecados são…” confesse somente os seus pecados; não precisa dar justificativas ou explicações de seus pecados.

5. Penitência: são as obras que o Padre exorta a fazer (orações, jejuns, oferta aos pobres, reparação…) reze, também, o ato de contrição, como segue o exemplo:

“Meu Deus, eu me arrependo de todo o meu coração, de vos ter ofendido, porque sei que sois bom e amável. Prometo com a vossa graça nunca mais pecar. Meu Jesus Misericórdia”.


6. Compromisso ou bom propósito de mudança de vida a partir da confissão.


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Quaresma: tempo de confissão, por quê? Parte 3

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DOUTRINA

O pecado é antes de tudo uma ofensa a Deus, uma ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado à comunhão com os irmãos (Catecismo da Igreja Católica 1440).

Pecado mortal é aquele cuja matéria é grave, é cometido com plena consciência e deliberadamente. Exemplos: assassinato, adultério, roubo, falso testemunho, aborto. (Catecismo da Igreja Católica 1857-1858)

É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado, e começa a ter medo de ofender a Deus e ser separado d’Ele. O coração humano converte-se olhando para o coração transpassado de Jesus (Catecismo da Igreja Católica 1432).

Efeito da confissão: pela confissão, somos enriquecidos com a graça de Deus, pois nos unimos a Ele com a máxima amizade. Este Sacramento tem como efeito a Reconciliação com Deus, que nos proporciona paz e tranqüilidade da consciência. Este Sacramento traz uma verdadeira “ressurreição espiritual”: o pecado mata, o perdão vivifica (cf. Lc 15,32). Este Sacramento, também, nos reconcilia com a Igreja (irmãos e irmãs), pois o pecado quebra a comunhão fraterna, a confissão e o perdão reparam a vida e comunhão (Catecismo da Igreja Católica 1468).

“A reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo de seu ser, onde recupera a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que de alguma maneira ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação”. (Reconciliação e Penitência, 31).

Santo Ambrósio fala de duas conversões na Igreja: “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência”.(Catecismo da Igreja Católica 1429).
São Jerônimo ensina que, os que agem tentando ocultar, conscientemente, alguns pecados, não colocam diante da bondade divina o que ela possa remir por intermédio do sacerdote… e se o doente insistir em esconder do médico sua ferida, como poderá a medicina curá-lo? (Catecismo da Igreja Católica 1456)

Confissão dos pecados ensinada na Biblia.

Escrito por Carlos Ramalhete   
A Igreja ensina que a confissão deve ser feita somente a um sacerdote, mas não encontrei uma base sólida para isso na Bíblia. Você poderia me indicar onde na Bíblia se ensina isto?

Claro. Temos, porém, que manter em mente que a nossa fé não é baseada apenas na Bíblia, já que a Bíblia é filha da Igreja, não sua mãe.

Mesmo assim encontramos na Escritura dados suficientes para corroborar a Tradição Oral e o Magistério da Igreja.

Jesus, dentre todos os que o seguiam (multidões!), escolheu doze apóstolos. Este número corresponde ao número de tribos de Israel, Povo de Deus. A Igreja, fundada sobre os apóstolos (Cf. Ap. 21,14, 1Cor 3,10 e Ef. 2,20), é o novo Povo de Deus (como Deus não volta atrás, a Antiga Aliança continua válida, embora incompleta, para os judeus).

A estes doze, e apenas a eles, Jesus deu o poder de perdoar os pecados (Jo 20,21-23). Note que ele deu este poder apenas aos apóstolos, e o fez depois de Sua Ressurreição. Não faria sentido dar este poder se isto não fosse necessário. O próprio São Paulo nos lembra da necessidade e da origem deste sacramento (2Cor 5,18).

Mas não faria sentido que este poder acabasse na geração dos apóstolos. Afinal, por que nós precisaríamos menos do perdão dos pecados que a gente daquele tempo?

É por isso que este poder foi transmitido aos sucessores dos Apóstolos, que seguiram a transmiti-los. A Igreja tem a sucessão de São Pedro, a quem Jesus entregou as chaves do Céu e a missão de apascentar o Seu rebanho.

Desde então a Igreja tem ciosamente guardado a doutrina de Cristo e ministrado os Sacramentos por Ele instituídos como meios para nossa salvação.

O poder de perdoar os pecados, porém, não deve ser conferido a qualquer um (1Tm 5,22), ainda que o valor do Sacramento independa da santidade pessoal do sacerdote (Rom 5,11). O objetivo é evitar escândalos causados por pessoas despreparadas, que não abraçam a graça a eles conferida pelo Sacramento da Ordem (1Tm 4,14).

Note que igrejas autocéfalas, como os coptas ou os nestorianos da Índia, apresentam praticamente da mesma forma o Sacramento da Reconciliação. Chamo à atenção estas igrejas porque separaram-se da Igreja há muito tempo. Os nestorianos da Índia seguem a sucessão apostólica de São Tomé, que ordenou seus primeiros bispos e deu a eles o poder de perdoar os pecados.

Os coptas, nestorianos e outros frequentemente apresentam erros graves de doutrina, por não se terem mantido sob Pedro, a quem Cristo deu o poder de ligar e desligar (expressões rabínicas significando estabelecer a verdadeira exegese de um texto bíblico que diga respeito a direitos e deveres). Mas mesmo assim, a Confissão é por eles considerada necessária.

Autor: Carlos Ramalhete - Livre cópia e difusão do texto em sua íntegra com menção do autor.

A confissão tem poder de cura.

A confissão é importante o ano todo porque ela é justamente o sacramento que nos reconcilia. E ela tem o poder curativo em nós, quando descobrimos que a cada confissão a gente se propõe a uma mudança. Por isso ela é curativa e faz crescer.

Sempre que você se restaura de um erro, de uma fragilidade também se projeta para crescer, a partir daquilo. De forma muito especial, na Quaresma, porque é um tempo especifico de conversão - e na verdade a confissão é uma mola propulsora da conversão.

Se a gente se confessa com mais regularidade na Quaresma e leva a mais a sério as conseqüências da confissão, que é justamente a reconciliação e conseqüentemente o passo que a gente dá para superar o erro, vamos viver uma Quaresma muito mais santa, porque a vamos trazer o benefício do Sacramento neste tempo tão específico de conversão...





Padre Fábio de Melo
Apresentador do programa "Direção Espiritual" da TV Canção Nova,
toda as quintas-feiras, às 23:30h.

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