O encontro que gera vida.

O encontro que gera vida.
"Quem
bebe desta água vai ter sede de novo. Mas aquele que beber a água que
eu vou dar esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se
tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna."
(Jo. 4, 13s)
Precisamos entender o que Deus quer falar com cada um de nós em particular. As
nossas leituras, orações e reflexões têm por objetivo nos ajudar a
fazer um encontro pessoal com o Senhor da vida. Cada um na
especificidade do seu ser pessoal, com as características humanas e
inspiradas pelo Espírito. O importante é estarmos abertos a este diálogo
que Deus quer fazer conosco através do texto bíblico que vamos meditar.
Vamos nos ater à leitura do episódio do encontro entre Jesus e
samaritana. Perguntar o que texto diz em toda a sua riqueza teológica
nos contextos e situação em que nos encontramos. Por isso, por partes
vamos entrar o mundo literário do texto e buscar as belezas da mensagem
evangélica.
O
tema da reflexão que nos propusemos a fazer é: “Quem beber desta água
nunca mais terá sede”. Este trecho bíblico é retirado do Evangelho de
João, ele faz parte do primeiro “bloco” de capítulos que chamados de
“Primeiro sinal”, ou seja, o Evangelho de João é conhecido como “livro
dos sinais”. João escreveu seu evangelho para a comunidade dos
seguidores de Jesus Cristo de origem grega, mas especificamente pode-se
dizer que foi para a comunidade dos cristãos de Éfeso, no final do
século primeiro da era cristã. Essas informações são importantes, pois
vamos entendendo o porquê de algumas imagens e informações que
encontramos no evangelho atribuído a São João.
O
texto do encontro entre Jesus e a samaritana está entre os quatro
primeiros capítulos do evangelho de João. O tempo dos sinais começa com
o testemunho de João Batista: sobre quem era o Cristo, o “batismo na
água” e o “batismo do espírito”, que ele pregava como caminho de
salvação e de renovação no reino que chegava. João mesmo dá testemunho
de que Jesus era o ungido, o Cristo. Depois o evangelho continua
relatando o chamado dos primeiros discípulos, ou seja, as testemunhas
que o acompanhariam no ministério de proclamação da salvação e da
libertação do povo oprimido pelas ideologias e pela pressão das
autoridades que dominavam em última instância a própria consciência das
pessoas.
O
“primeiro sinal” é relatado no capítulo dois do evangelho e narra o
episódio das bodas de Caná na Galiléia, ao norte da terra santa. Lá ele
realiza a grande proeza da mudança da água em vinho e, retorna para
Cafarnaum, às margens do lago de Genesaré, cidade onde segundo a
tradição ele morava. O evangelho diz que Ele e os discípulos retornaram a
Jerusalém, pois estava se aproximando a festa da páscoa, e todo judeu
piedoso e fiel às tradições do seu povo ia a Jerusalém apresentar o seu
sacrifício em agradecimento a Deus pela libertação, realizada no êxodo.
Por ocasião de sua ida para a festa da páscoa o evangelista deixa claro
de que muitos ouviam o que Jesus dizia e acreditavam nos seus sinais.
Vida nova no seguimento de Cristo.
No
início do terceiro capítulo, o evangelista relata o encontro secreto
de Jesus e Nicodemos, grande homem, chefe dos doutores da Lei,
autoridade entre os judeus. Certamente ele tinha observado que as
atitudes de Jesus eram diferentes e cheias de autoridade pelo testemunho
que ele dava. Muita gente aderia à proposta do Mestre, então isso deve
ter sido causa do questionamento de Nicodemos sobre a conversão e a
mudança radical de vida das pessoas que escutavam e se encontravam com
Jesus.
A
mudança de vida é um novo nascimento. Era isso que acontecia quando
João Batista pregava e testemunhava a chegada do enviado de Deus. Ele
pregava, segundo os evangelistas, um batismo de conversão. Converter-se é
mudar a direção. Mudar de vida. Nascer de novo: ser uma criatura nova,
como vai nos dizer São Paulo sobre o cristão que acolhe a mensagem de
Jesus. Para que o sinal da mudança de vida fosse verídico, segundo o
diálogo de Nicodemos e Jesus, era preciso “nascer da água e do Espírito”
(Jo 3,5), pois a garantia era a participação na vida de Deus, o reino
pregado pelo messias.
Já
quase no final do capítulo terceiro o autor do evangelho retorna mais
uma vez a apresentar o testemunho de João Batista, que dessa vez é mais
radical: a prisão e por fim, o martírio. João aponta o Cristo. Assim
João Batista realiza a sua missão: “Preparai o caminho do Senhor!” Os
discípulos e Jesus também batizavam na margem do rio Jordão. Isso vai
ser causa de grandes comentários entre as autoridades dos judeus, pois
as pessoas que procuravam João Batista iam ao encontro de Cristo e o
grupo dos que aceitavam sua mensagem e testemunho aumentava rápida e
significativamente. Desse episódio pra frente do texto inicia o
capítulo quarto que vamos meditá-lo com mais atenção.
Até
aqui podemos fazer algumas observações sobre os quatro primeiros
capítulos do evangelho de João: O Evangelho começa falando sobre a
pessoa de João Batista, sua missão e sua atividade de anúncio e o
batismo de conversão. Duas idéias são fundamentais e evidentes ao longo
destes textos: A presença e ação de Deus na vida do ser humano
acontecem no mais profundo do seu ser, ou seja, no coração, isso se a
pessoa aceita “nascer de novo”, na água e no espírito, que é uma
mudança radical de vida; O testemunho é a acolhida alegre da mensagem
que se transforma em vida, ou seja, ação capaz de produzir a salvação e
a libertação da pessoa.
Ao
longo da nossa reflexão bíblica vamos procurar explicitar alguns
conceitos e elementos importantes que nos tornem capazes de compreender
a beleza e riqueza deste texto. É evidente que a ação de Jesus
repercutiria muito entre as autoridades, pois o grupo dos seguidores e
ouvintes de Jesus aumentava muito, gradativamente. O número dos
discípulos dele era até maior que os de João Batista. Segundo os outros
evangelistas a quantidade de pessoas que procuravam o batismo de João
era muito grande. Imaginemos o número das pessoas que procuravam Jesus!
O evangelho diz que as pessoas iam ao encontro de Jesus por causa do
testemunho de João Batista, depois de o ouvirem se tornavam seus
seguidores. O testemunho agora já não era outro que falava dele, mas, as
suas próprias ações diziam por si mesmas.
Delmiro Vieira do Nascimento Júnior, SDB
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