sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Carta aos Paroquianos de São Pedro e São Paulo - Tibiri II







Que o Deus de toda Consolação, o Pai das Misericórdias que nos entregou seu Único Filho, Jesus como salvador, caminho, verdade e verdadeira vida, oferte a cada um que lê esta carta bem como a toda a sua família os Dons do Espírito Santo. Espírito da Verdade que brota do coração do Pai e do Filho e sustenta a Igreja em sua jornada em mundo faminto de paz, de pão, de amor e de Deus.

A violência é uma marca triste de nossa sociedade. Todos os dias encontramos relatos de dor e sofrimento. A nossa Igreja vitimada mais uma vez por um ataque contra a Eucaristia o que demonstra que ninguém está isento desta chaga aberta em nosso bairro. Fomos novamente surpreendidos durante o início da manhã com a notícia de que ladrões entraram na Igreja. Desta vez, retiraram o Sacrário e o levaram para a quadra. Ele foi arrombado e deixado lá. Na Igreja todas as outras coisas permaneceram em seus lugares, imagens, móveis, sala de som, vestes. A intenção de quem entrou na Igreja foi violar o Sacrário. As razões para acreditarmos nisso é o estado no qual se encontraram as outras coisas dentro da Igreja. Digamos com clareza: o ataque foi à Eucaristia.

Olhando para Jesus Eucarístico me vem sempre à memória a perene atualidade de Jesus. Em sua caminhada terrestre foi vítima da revolta, das intrigas, rejeitado por quem vivia de fazer a maldade. Vítima de um sistema perverso. Inocente tem seu sangue derramado por ser solidário com os mais pobres, com os excluídos, com as vítimas! Hoje, presente ressuscitado na Eucaristia segue sendo vítima da revolta, das intrigas, rejeitado por quem vive de fazer a maldade. Ele segue vítima de um sistema perverso. Inocente, se permite se permite tocar por novos algozes e ainda é vítima de escárnios. Por qual motivo? Porque não está distante do seu povo, não está isento das dores de seu povo e também para nos mostrar que como Igreja nunca poderemos esquecer que somos herança de um carpinteiro crucificado e não de um imperador. Somos a Igreja do Crucificado que foi ressuscitado por Seu Pai pois o Pai não tolera a injustiça, não aceita que o mal tenha a última palavra! 


Em todas as vezes que me deparei com a cena de uma Igreja violada sempre me veio um pensamento assustador: nós nos chocamos sempre pelo que vemos. E justamente aqui deveremos nos recolher à oração primeiramente porque nos chocamos com o que vemos, mas não nos é permitido saber o que aconteceu durante a madrugada inteira! A madrugada da violação de uma Igreja se compara à mesma madrugada da quinta para a sexta feira na qual Jesus foi severamente torturado em vista da crucificação no final da manhã da Sexta. Valendo ressaltar que este episódio se realizou justamente da quinta para a sexta o que aprofundou ainda mais os meus sentimentos de tristeza ao longo deste dia de sexta feira. Quanta dor e amargura o Senhor Eucarístico deve ter passado nas mãos de homens sem nenhum tipo de devoção, fé e respeito humano! As madrugadas são curtas para tamanha maldade e injustiça. A violência contra Jesus Eucarístico fere a Igreja mas também toda a sociedade porque denuncia a total falta de capacidade de lidar com tamanho mal presente e a se fortalecer sobre as sombras do Estado cada vez mais incapaz.

Entretanto, outro pensamento me invade e acalma o meu coração. Assim, o partilho porque se o meu coração de homem de fé se acalma com tal pensamento, todos os corações dos meus paroquianos devem acompanhar este caminho que faz com que "encontremos descanso": Assim como o Senhor enfrentou bravamente a angústia da madrugada da quinta, as dores da sexta, entrou em silêncio para Ressurgir Glorioso no Domingo de Páscoa, assim também será com toda a sua Igreja e nossa sociedade: não obstante as dores e amargura, os silêncios profundos e até mesmo as omissões, há de brilhar sempre a luz do Cristo Ressuscitado dos Mortos porque o Amor vence tudo! Conclamo a todos para que se voltem confiantes à Oração! Enquanto as devidas providências são pensadas e tomadas. 

Quais serão nossas próximas atitudes?

O Código de Direito Canônico, Cânon 1211 nos dá o roteiro a ser seguido em tal situação, cito-o:


"Os lugares sagrados violam-se com ações gravemente injuriosas neles praticadas com escândalo dos fiéis e, a juízo do Ordinário do lugar, de tal modo graves e contrárias à santidade do lugar que não seja lícito exercer-se neles oculto, enquanto a injúria não for reparada por meio de um rito penitencial segundo as normas dos livros litúrgicos."

Faz-se necessário o Rito Penitencial de Desagravo. Entramos em contato com o Arcebispo da Paraíba e se encontra nas mãos dele a responsabilidade direta por este Rito. Apresentamos a Programação para este final de semana de acordo com o que prescreve o Código de Direito Canônico no Cânon acima citado. 



1. AS ÚNICAS MISSAS CELEBRADAS NO TERRITÓRIO PAROQUIAL DURANTE A SEXTA E O SÁBADO ACONTECERÃO NAS COMUNIDADES NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, NO HEITEL SANTIAGO E SÃO DANIEL COMBONI. 

Estas missas serão mantidas por três razões:

1.1. As comunidades de Nossa Senhora de Nazaré e São Daniel Comboni celebram as Festas de seus padroeiros.

1.2. Manteremos assim, com estas duas comunidades em Festa, as Celebrações Eucarísticas Diárias em nosso território Paroquial.

1.3. A localização geográfico mais distante destas comunidades deve ser levada em conta.



2. PROGRAMAÇÃO DO DOMINGO:

DURANTE TODO O DOMINGO A IGREJA MATRIZ ESTARÁ FECHADA, POIS COMO FOI A IGREJA VIOLADA, DEVE ESPERAR O RITO PROPOSTO NO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO 1211. AS OUTRAS COMUNIDADES COM ATIVIDADE NOS DOMINGOS SEGUEM ESTA PROGRAMAÇÃO:

2.1. A IGREJA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, ÀS 6:30H VIVENCIARÁ UMA CELEBRAÇÃO DA PALAVRA. 

2.2. COMO DIA 12 É DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA HAVERÁ MISSA EM DOIS LUGARES:

IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS ---- NORMALMENTE ÀS 8H 

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EXTRAORDINARIAMENTE NA IGREJA DE SANTA ANA NO DOMINGO ÀS 17H

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A ESCOLHA DE SANTA ANA SE VINCULA COM O FATO DE NÃO TERMOS A MISSA DA MATRIZ.

ÀS 18H SAIRÁ A PROCISSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA EM DIREÇÃO À IGREJA DE NOSSA SENHORA DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, NO HEITEL SANTIAGO NA QUAL SE ENCERRARÁ A FESTA DA PADROEIRA.


COMO SERÁ NOSSA SEMANA?

*NA SEGUNDA FEIRA NÃO HAVERÁ ESCOLA DA FÉ

*NA TERÇA O AMOR FRATERNO (GRUPO DE ORAÇÃO) PODE SE REUNIR DESDE QUE O LOCAL ESCOLHIDO SEJA UMA COMUNIDADE OU A CASA DE ALGUÉM E ATÉ MESMO O AUDITÓRIO PAROQUIAL. NÃO HAVERÁ MISSA EM SANTA ANA QUE DEVE FICAR FECHADA

*NA QUARTA FEIRA O TERÇO DOS HOMENS PODE SER REUNIR DESDE QUE SEJA NA CASA DE ALGUÉM OU NO AUDITÓRIO PAROQUIAL. NÃO HAVERÁ MISSA EM MENINO JESUS QUE DEVERÁ ESTAR FECHADA

*NA QUINTA A IGREJA MATRIZ PERMANECERÁ FECHADA, MAS NO AUDITÓRIO PAROQUIAL IRMÃ DULCE, A PARTIR DAS 19:30H FAREMOS UMA ADORAÇÃO EUCARÍSTICA. NÃO HAVERÁ MISSA EM NOSSA SENHORA DE NAZARÉ QUE PERMANECERÁ FECHADA.

* NA SEXTA NÃO HAVERÁ MISSA NA COMUNIDADE SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

* NO SÁBADO DIA 18 DE OUTUBRO HAVERÁ UMA CAMINHADA PENITENCIAL SEGUIDA DE CELEBRAÇÃO PENITENCIAL EM NOSSO AUDITÓRIO PAROQUIAL. A CAMINHADA SAIRÁ DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE ÀS 19H E TERMINANDO NA FRENTE DA IGREJA MATRIZ DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

*DOMINGO DIA 19 DE OUTUBRO:

CELEBRAÇÃO DA PALAVRA NAS SEGUINTES COMUNIDADES

2. NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

3. COMUNIDADE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

4. NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

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RITO PENITENCIAL DE DESAGRAVO E CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA ÀS 19H NA IGREJA MATRIZ SÃO PEDRO E SÃO PAULO

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Em Cristo Jesus somos um só corpo e assim somos fortes! 

Na paz de Cristo e que Deus, Pai das Misericórdias abençoe a todos!

Pe Dalmo Radimack 
Pe Cláudio Amorim







 






terça-feira, 7 de outubro de 2014

Maria no Evangelho de Mateus II




Mt 2, 1-12 – NASCIMENTO E VISITA DOS MAGOS

            A terceira unidade do Evangelho da Infância de Mt esclarece o “onde” do advento divino à história, em sua forma visível, perceptível aos olhos dos homens: Belém da Judéia, a cidade de Davi. Mt apresenta a idéia positiva da descendência davídico-régia do Messias e da salvação oferecida por meio dele a todos os povos. Mt explica o mistério de Jesus a uma comunidade formada de cristãos judeus e gentios. Nesse quadro messiânico-régio, Maria é apresentada como mãe do Messias-rei (vv.2.11). A homenagem de adoração prestada pelos magos ao menino no colo da mãe apresenta Maria no papel da rainha-mãe do AT (1Rs 1, 15-21; 2, 12-20).
            O episódio dos magos não é propriamente história, mas um midrash, isto é, uma história construída para fins de edificação. Isso, contudo, não impede que o midrash tenha sido plasmado de um núcleo histórico, proveniente de reminiscências familiares. Estamos diante de densa releitura pascal, que confessa Jesus como messias e salvador universal e colada ao lado dele sua mês, com acentos que refletem a percepção de fé da sua extraordinária proximidade do Filho. O fundamento pré-pascal desse dado só pode ser a proximidade de Maria em relação à missão daquele que, sendo seu filho, será confessado Senhor e Cristo e Filho de Deus: no “onde” do nascimento se reflete a messianidade do Filho e a excepcional dignidade da mãe.

Mt 2, 13-23 – FUGA PARA O EGITO
            A última unidade do Evangelho da Infância de Mt apresenta o “de onde” a missão de Jesus começou. Mt desloca Jesus de Belém para Narazé, o faz ir para o Egito e voltar, ao mesmo tempo comenta a morte dos inocentes em Belém com as palavras usadas por Jeremias para descrever as tribos do Norte condenadas ao exílio. Assim, de certo modo, o Jesus de Mt revive o êxodo e o exílio, isto é, revive de maneira plena a história de Israel. O menino é, pois, a figura do novo Israel, e nele vem cumprir-se finalmente a espera messiânica do povo do êxodo e do exílio: Nazareu (v.23) pode lembrar o rebento messiânico (Is 11, 1), o santo de Deus (Jz 13, 5.7) ou o resto escatológico de Israel (Is 42,6; 49,8). Ao lado dele, sempre presente, como mostra a expressão recorrente “o menino e sua mãe” (vv. 13.14.20.21) está Maria: figura do Israel da espera que entra no tempo escatológico. A mãe do Messias Rei que acolhe todos os povos na unidade anterior aqui é a mulher do êxodo e do exílio, reconduzida com o Narazeno para a terra dos pais: Maria representa a porta através da qual a espera passa pra o cumprimento.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Tome nota!






Sexta:

19:30h - Sagrado Coração de Jesus ( Tibiri II) - Pe Dalmo

19:30h - Pitombeira ( P. N. S. Livramento) - Pe Cláudio

Sábado:

16h - Ribeira ( P.N.S. Livramento) - Pe Dalmo

19:30h - Abertura da Festa de Nossa Senhora de Nazaré ( Heitel Santiago) - Dom Aldo di Cillo Pagotto

19:30h - Festa de São Francisco de Assis ( Tibiri II ) - Pe Dalmo

19:30h - São Daniel Comboni (Tibiri II) - Pe Cláudio Amorim


Domingo


6:30h - Nossa Senhora de Guadalupe (Tibiri II) - Pe Dalmo

8h - Matriz São Pedro e São Paulo - Pe Cláudio

10h - Forte Velho (P. N. S. Livramento) - Pe Dalmo

16h - Matriz de Livramento - Pe Dalmo

19h - Festa de Nossa Senhora de Nazaré - Pe Cláudio

19h - Matriz São Pedro e São Paulo - Pe Valdézio (Valentina Figueiredo)

19h - Encerramento da Festa de São Francisco de Assis - Dom Aldo di Cillo Pagotto


Paróquia São Pedro e São Paulo receberá o Arcebispo da Paraíba neste final de semana










A Paróquia São Pedro e São Paulo no mês de outubro celebra a Festa dos padroeiros de três das nossas comunidades. Por conta disto e por conta do mês dedicado às Missões, receberemos o Arcebispo Dom Aldo di Cillo Pagotto que abrirá a Festa na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, no Heitel Santiago no dia 4 de outubro, às 19:30h. Também contaremos com a presença do Arcebispo para o encerramento da Festa de São Francisco de Assis, no dia 5 de outubro, às 19h.


Contamos com a presença de todos os nossos paroquianos nesta ocasião!

As Festas do Mês de Outubro em nossa Paróquia










O mês de Outubro dedicado às Missões nos oferece a oportunidade de meditar sobre a vida dos padroeiros de três das nossas comunidades:


Entre os dias 2 e 5 de outubro celebramos São Francisco de Assis

Entre os dias 5 e 12 de outubro Festa de Nossa Senhora de Nazaré

E entre 8 e 11 de Outubro celebramos a Festa de São Daniel Comboni


A Abertura da Festa de Nossa Senhora de Nazaré, no sábado terá como presidente da Celebração o Arcebispo da Paraíba Dom Aldo di Cillo Pagotto. Ele também se fará presente no dia 5 de outubro para encerrar a Festa de São Francisco de Assis


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Maria no Evangelho de Mateus - I



         
     
       O Evangelho de Mt, juntamente com Lc, representa uma mariologia positiva, um aprofundamento da compreensão acerca da pessoa e missão de Maria na História da Salvação à luz da fé pascal em Cristo Morto e Ressuscitado.

Mt é datado na década de 80 d.C. e tem como perspectiva teológica a apresentação do mistério de Jesus Cristo como cumprimento pleno e definitivo da promessa divina do AT, isto porque a comunidade na qual foi gestado o evangelho é predominantemente de judeu-cristãos. Mt apresenta o mistério de Jesus e de sua Páscoa profundamente enraizado na fé bíblica de Israel, mas na perspectiva da plenitude e superação escatológica da Antiga Aliança.
            Há em Mt dois grupos de testemunhos sobre Maria, testemunhos estes que são eminentemente cristológicos, ou seja, apresentam o mistério de Jesus Cristo e, neste, o mistério de Maria: Narrativas da Infância (Mt 1 e 2) e Ministério Público (Mt 12, 46-50 e 13, 55).
As Narrativas da Infância são a contribuição original de Mt. Mt 1 e 2 tem uma estrutura em quatro unidades: 1, 1-17 (Quem é Jesus? Sua gênese?), 1, 18-25 (Qual o modo da gênese/origem de Jesus?), 2, 1-12 (Onde se verifica sua vinda no tempo?) e 2, 13-23 (De onde começa sua missão?).

     Mt 1, 1-17 – GENEALOGIA DE JESUS

Mt 1,1 lembra Gn 2,4 e 5,1 revelando um paralelismo que significa que o nascimento de Jesus inaugura nova criação pois Jesus é o segundo Adão e Maria o terreno acolhedor (Mt 1, 18-20) do Espírito que pairou sobre as águas da primeira criação (Gn 1, 2). Em sua genealogia, Mt quer mostrar que Jesus, como descendente de Abraão, é membro do Povo de Deus e, como descendente de Davi, herdeiro das promessas messiânicas da casa/dinastia davídica (2Sm 7, 16)
Na Bíblia, as genealogias são baseadas no nome do pai como acontece nas sociedades patriarcais. Digno de nota é que Mt cita cinco mulheres que não são grandes Matriarcas, mas mulheres em situação irregular ou excepcional: Tamar (Gn 38, 14-18 – falsa prostituta de seu sogro), Raab (Js 2, 1-15 – prostituta estrangeira), Rute (Rt 3,1-4,16 – estrangeira que casa com Booz), Betsabéia (2Sm 11,1-12,25 – com quem Davi adulterou) e Maria a virgem que se torna mãe. Todas as quatro mulheres do AT foram veículo do desígnio messiânico de Deus, apesar de caracterizadas por uniões maritais irregulares, sublinhando a gratuidade da eleição divina. Mt cita tais mulheres para mostrar a ação de Deus mediante modalidade humanamente “não regulares” a fim de preparar a narração das maravilhas operadas pelo Altíssimo na virgem Mãe Maria.
A genealogia de Mt termina com uma grande ruptura: no final do curso natural das gerações, chegando a José se interrompe bruscamente dando uma guinada para a virgem Maria e desembocando no Messias esperado (v.16). Tal mudança está situada no final da terceira série de quatorze gerações, isto é, no ponto mais elevado de um desígnio histórico-salvifico (os números aqui indicam plenitude!). Maria é a última antes de Cristo. Maria é o ponto de inflexão a partir do qual tem início uma outra genealogia, a da nova humanidade, aquela gerada segundo o Espírito. Maria emerge, pois, como o seio da nova criação, na qual o Deus da história da salvação age de maneira absolutamente gratuita e surpreendente.


                                                         Mt 1, 18-25 – ANÚNCIO A JOSÉ
 
Os vv. 18-25 constituem a narração verdadeira e própria da concepção de Jesus: eles descrevem a modalidade extraordinária de sua “gênese”. Manifestam-se neles duas intenções: de um lado, a de sublinhar a ligação legal do menino com “José, filho de Davi” (v.20), e por causa disso José está no centro da narração. Por outro lado, a de afirmar que o que aconteceu em Maria é obra não de pai humano mas do Espírito Santo (vv. 18.20); a gravidez de Maria, situada cronologicamente no período do noivado judaico antes da convivência na mesma casa, é fruto de ação divina. Como nas situações não regulares das mulheres da genealogia manifestaram-se a fidelidade e o poder de Deus, do mesmo modo agora, na situação de transição de sua humilde serva Maria, o Altíssimo faz grandes coisas. Assim, se graças à descendência davídica de José, Jesus é legalmente filho de Davi, graças à inaudita concepção por obra do Espírito Santo, ele é filho de Deus (Mt 2,15). Em Maria se cumpre a espera messiânica davídica por uma surpreendente, indeduzível e improgramável ação divina. A idéia da ausência da ação humana de paternidade é confirmada nos vv.24s. O termo “até que” não requer que, depois do nascimento do menino, José tenha “conhecido” Maria; ele se limita apenas a indicar o termo último para o qual a narração se orienta (Cf. por exemplo 1Tm 4,13).
A maternidade de Maria é virginal: essa é a idéia testemunhada com evidência pelo texto. Em apoio do paradoxal binômio da descendência davídica e da concepção virginal, Mt 1,22s menciona o oráculo de Is 7, 14 lendo-o numa indicação profética da futura concepção virginal do Messias. Desse modo, enquanto sublinha o cumprimento da espera messiânica em Jesus, evidencia que nasceu prodigiosamente da virgem Maria Aquele que é o Emanuel, o Deus conosco (v.23). Relida à luz pascal, a concepção de Jesus se apresenta então como evento trinitário, como obra do Espírito, como uma espécie de páscoa antecipada. Em Maria se realiza densamente o que aconteceu na morte e ressurreição do Senhor, história trinitária revelada para a nossa salvação: ela é o sóbrio, mas rico lugar do mistério no qual é compendiada e oferecida a plenitude escatológica dos tempos.
Qual o fundamento histórico da concepção virginal de Jesus relatada por Mt? Qual sua fonte histórica? Diante de varias hipóteses, a mais provável é a que afirma uma fonte precedente que tenha transmitido ao evangelista um núcleo histórico irredutível a respeito da concepção virginal; esse dado, mais tarde, teria sido iluminado e aprofundado pela luz pascal. Essa narração pré-evangélica, como a do evangelista, não dispunha de outras fontes plausíveis além de um dado histórico transmitido oralmente. É mais fácil explicar os testemunhos do NT supondo uma base histórica do que supondo uma criação puramente teológica.  O evangelista deve, pois, ter reconhecido na vida de Maria um núcleo histórico indiscutível, testemunhado e relido à luz da Páscoa; esse núcleo era constituído pela experiência única e absolutamente indeduzível da ação divina, a qual, sem intervenção de pai humano, fez da Virgem a Mãe do Messias.
A Virgem concebeu por obra do Espírito Santo! Deus fez em Maria algo absolutamente novo e inaudito, algo que só progressivamente será tematizado nela e que só na plena luz pascal se esclarecerá como “a gênese de Jesus Cristo” (v.18), a concepção e o nascimento do Messias, “que salvará o povo dos seus pecados” (v.21).

 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Diaconato de Augusto Manoel






“Sejam misericordiosos, prestativos e fiéis à verdade do Senhor, que se fez servidor de todos” (São Policarpo).

          
O exercício do ministério diaconal, tão importante para a vida e missão da Igreja, aparece com particular destaque desde a era apostólica. Encontramos o evento inaugural deste ministério em Atos dos Apóstolos 6, 1-6 em que narra a instituição de sete homens “repletos de espírito e sabedoria”, encarregados das tarefas sócio-caritativas. Daí se nota que o nome diácono vem de diaconia que significa serviço, que por sua vez é o fundamento da comunidade cristã.

O magistério da Igreja, de modo particular na Lumen Gentium n° 29, nos ensina que a natureza deste ministério se configura na tríplice missão que é o serviço ao povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade. Dentro do rito de ordenação, a validade do ato está na imposição das mãos feita pelo bispo e a oração consecratória em que ele diz: “Enviai sobre eles, Senhor, nós vos pedimos, o Espírito Santo, que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exercerem com fidelidade o seu ministério”.

A fidelidade ao ministério se dá primeiramente na fidelidade ao Cristo. Nas palavras de santo Inácio de Antioquia, o múnus que o diácono exerce é o próprio ministério de Cristo. Por isso que são Policarpo adverte na frase acima citada que tenhamos em nós o dom da misericórdia e da disponibilidade imitando Àquele que se fez servidor de todos. 

Diante desta motivação de cunho teológico percebemos a grandeza deste ministério e temos a clara convicção daquilo que Deus nos confiou. É de uma beleza toda particular chegarmos ao final de uma etapa formativa e refletir tudo aquilo que recebemos ao longo desta caminhada vocacional. Preparando-nos para a recepção do Sacramento da Ordem, o nosso coração e a nossa mente estão totalmente voltados para o Primeiro Amor. 

Há mais de dez anos Augusto Manoel deixou a casa paterna para dizer um Sim a Deus, consagrando a vida em prol da humanidade.  Deus nos oferece vários caminhos e conhece cada um de nós. Conhecendo o coração ele convida e acompanha, conduz e fortalece. 

Desejamos que o início desta nova etapa seja favorável para edificação da Igreja e sua própria santificação! 

Que Deus lhe abençoe sempre e as mãos do Pastor Cristo Jesus derramem incontáveis bênçãos a seu favor!