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domingo, 23 de outubro de 2011

Homilia do dia 23 de outubro


Na Liturgia deste domingo, somos todos colocados diante de um questionamento que gira em torno do Amor. Este debate a envolver Jesus que aqui nos foi apresentando na versão de Mateus, recebe no Evangelho de Lucas o acrescimo da parábola do Bom Samaritano. Este trecho do Evangelho vem logo após o debate entre Jesus e os saduceus. Os saduceus não acreditam na ressurreição dos mortos. Na sua resposta, Jesus além de afirmar a ressurreição, ainda acusa os saduceus de engano em relação às escrituras (Mt 22,23-33). A resposta de Jesus deixa os fariseus empolgados, e agora, repletos de curiosidade, vêm a Jesus com outra questão controvertida: qual é o maior mandamento da Lei? A Lei era o conjunto tradicional de regras sócio-religiosas, acrescido de novas normas de observâncias mais detalhadas, elaboradas ao longo da história de Israel e da Judéia, acumulando, no tempo de Jesus, seiscentos e treze (613) mandamentos.
O conjunto todo era atribuído a Moisés, como tendo sido recebido diretamente de Deus no Sinai. Questionado sobre o maior mandamento da Lei, Jesus responde reunindo dois mandamentos separados, que ficavam distanciados entre sí, um do livro do Deuteronômio e outro do livro do Levítico: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!" (Dt 6,5), e "amarás teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19,18). Unindo estas duas citações, Jesus anuncia que não há como amar a Deus se esse amor não for concretizado na nossa vida, repercutindo em todas as nossas relações.  O amor a Deus não se expressa a partir da exclusão do diferente, nem da rejeição daqueles que agem de forma diferente da nossa. Ninguém poderá amar a Deus verdadeiramente se esse amor não se converte em doação de vida ao próximo. Qualquer expressão religiosa que afaste as pessoas e gere dois grupos, um dos salvos e o outro dos condenados, não vem de Deus, nem nos mostra o caminho para o amor a Deus. O amor a Deus se expressa na acolhida do próximo, por mais diferente e divergente que este seja de nós. A lógica do Evangelho nos desafia pois o maior mandamento é o amor a Deus, o segundo é o amor ao próximo, e este deve ser como amamos a nós mesmos, invertendo, entenderemos que o amor que temos por nós não se encerra em nós mesmos, mas alcança plenitude na mão que estendemos aos outros, na acolhida sincera e devotada das pessoas, na não aceitação da injustiça que impede as pessoas de se realizarem, na prática da verdade. Saindo de nós mesmos, rompendo o casulo do egoísmo, indo ao encontro do outro é que teremos posse de nós mesmos e desta maneira teremos uma ponte para Deus. Agora podemos entender com muita segurança o que a Primeira carta de João quer dizer para nós quando afirma que dizer que ama a Deus sem amar o irmão é mentira! E é neste amor que seremos julgados no entardecer da nossa vida. Seremos questionados por Cristo sobre o mínimo de amor que deveríamos ter tido pelos sofredores, com os quais Cristo se identificou a ponto de dizer que tudo o que fizermos a eles, faremos ao próprio filho amado de Deus. “Eu tive fome e me destes de comer...” (Mt 25, 31-46). Seremos julgados pela nossa capacidade ou não de amar os outros como nos amamos vendo em cada um a imagem do Cristo de Deus!

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